quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Mantra (trecho extraído do livro Tratado de Yôga do Mestre DeRose)
Mantra
Vocalização de sons e ultrassons
Mantra pode ser qualquer som, sílaba, palavra, frase ou texto, que detenha um poder específico. Porém, é fundamental que pertença a uma língua morta, na qual os significados e as pronúncias não sofram a erosão dos regionalismos, modismos e outras alterações constantes por causa da evolução da língua viva.
Em se tratando de Yôga, somente o idioma sânscrito é aceito. Dele, foram extraídos os mantras do nosso acervo. E não se deve misturá-los com mantras de outras línguas ou de outras tradições, para evitar o tristemente, célebre choque de egrégoras.
Para quê praticar mantra
Existem mantras para facilitar a concentração e a meditação, mantras para serenar e para energizar, para adormecer e para despertar, para aumento do fôlego e para educar a dicção, para desenvolver chakras e despertar a kundaliní, para melhorar a saúde e até para matar em casos extremos de autopreservação do yôgi[1], quando atacado. Leia a esse respeito no nosso livro Quando é preciso ser forte o caso do velho sábio que, para defender-se, teria matado um facínora na Índia, emitindo apenas um mantra.Na prática básica de ády ashtánga sádhana, o mantra é utilizado para aplicar a vibração de ultrassons no desesclerosamento de nádís, que são os meridianos por onde o prána circula em nosso corpo físico energético. Na maior parte das pessoas, tais nádís estão obstruídas por maus costumes alimentares que as entopem da mesma forma que as artérias, e também por maus costumes emocionais, dando vazão a uma enorme variedade de sentimentos inferiores, pesados e viscosos.
Para desenvolver chakras, os mantras atuam por ressonância. É o mesmo fenômeno que se observa quando afinamos dois instrumentos de corda e depois, tocando um deles, o outro, deixado a uma certa distância, toca sozinho, por simpatia. Da mesma forma, se conseguirmos reproduzir os ultrassons que têm a ver com a afinação dos chakras, eles reagem a esse estímulo.
Segundo a Física, a ressonância tem tanta força que uma tropa não deve atravessar pontes marchando. Se o fizer, a ponte pode ruir, como já aconteceu várias vezes. Todo militar sabe disso, mas poucos sabem que tal procedimento está intimamente ligado à arte dos mantras.
Como não conseguimos escutar os ultrassons, os Mestres do passado criaram determinados sons que têm a propriedade de reproduzi-los simultaneamente, tal como se os ultrassons acompanhassem o vácuo dos sons audíveis. Assim, pessoas comuns passam a ter a capacidade de emitir vibrações que atuem nas áreas mais recônditas da nossa fisiologia pránica.
Não adianta ler os mantras escritos, nem mesmo em pauta musical. É preciso escutá-los atentamente e buscar reproduzi-los exatamente da mesma forma. É necessário que um Mestre experiente os ouça e corrija sucessivas vezes, até que os mantras fiquem precisamente corretos.
Por isso, na Índia, alguns Mestres de mantra ficam furiosos quando os ocidentais lhes perguntam com que nota musical devem fazer o mantra ÔM.
– Mantra não é música! – Vociferam eles, cheios de razão, já que o ÔM e a maioria dos mantras não tem nada a ver com música.
Assim sendo, saber que lam atua no múládhára chakra, que vam atua no swádhisthána, ram no manipura, yam no anáhata, ham no vishuddha e ôm no ájña e no sahásrara, não resolve absolutamente nada, se o praticante não tiver um Mestre que, além de entoar cada um, ainda esteja disponível para corrigir sua vocalização.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
As Árvores e as Pedras
Era uma vez um menino cheio de
idéias estranhas. Ele achava que o infinito era pequeno e que o eterno
era curto. Conversava com as Árvores e com as Pedras, e se emocionava
com elas, pela magnitude do que lhe contavam. Um dia as Árvores lhe
disseram:
– Sabe? No nosso Universo cada uma de nós cumpre o
que lhe cabe, pela satisfação de fazer assim. Nenhuma de nós se exime da
sua parte. Os humanos passam suas vidas a só fazer coisas que lhes
resultem em conflitos, infelicidade e doença. Não fazem o que realmente
gostariam. Caem no cativeiro da civilização, trabalham no que não gostam
para ganhar
a vida e perdem-na, em vão, ao nada fazer de bom. Por isso tornam-se
rabugentos, envelhecem e morrem insatisfeitos. Procure você viver feliz
como nós, pois alimentamo-nos, respiramos e reproduzimo-nos, de acordo
com a Natureza. Assim, quando morremos, na verdade continuamos vivas em
nossas sementes e crescemos de novo. Vá e ensine isso aos que, como
você, podem ouvir nossas palavras. Fará muita gente feliz, livre da
escravidão da hipocrisia.
O garoto ainda era pequeno para saber a extensão do
que lhe propunham as Árvores, mas concordou em levar essa mensagem aos
homens. Entretanto as Pedras, que até então tinham-se mantido muito
quietas, começaram a falar e disseram coisas aterradoras!
Uma Pedra maior e coberta de musgo, o que lhe
conferia um ar ancião e sacerdotal, tomou a frente das demais e falou
fundo, ecoando dentro da sua alma:
– Não, você não deve cometer a imprudência de levar
aos homens a mensagem das Árvores. Nós somos Pedras frias e friamente
julgamos. Estamos aqui há mais tempo que elas e temos visto o
transcorrer desta pequena História Universal dos humanos. Antes de você,
muitos receberam essa mensagem e foram incumbidos, por elas, de
recuperar a felicidade que os hominídeos perderam ao ignorar as leis
naturais. Todos quantos tentaram ajudar a humanidade foram perseguidos,
difamados e martirizados. Cada um conforme os costumes de sua época:
crucificados em nome da justiça, queimados em praça pública em nome de
Deus e tantos outros martírios pelos quais você mesmo já passou várias
vezes e se esqueceu… Hoje você pensa que não corre mais perigo e aceita
tentar outra vez. Quanta falta de senso! Quando começar a dizer as
coisas que as Árvores transmitiram, vão primeiro tentar comprá-lo. Se
você não sucumbir ao tilintar dos trinta dinheiros, então precisará ser
realmente um forte para permanecer de pé, pois passarão a agredi-lo de
todas as formas.
Mas o menino respondeu prontamente. Tomou um ramo em uma das mãos e uma pedra na outra, e bradou:
– Este é meu cetro. E este, o meu orbe. Com o vosso
reino elemental construirei nosso santuário e nele reunirei aqueles que
forem capazes de ouvir e de compreender. As rochas manterão do lado de
fora os incapazes e as toras aquecerão, do lado de dentro, os que
reconhecerem o valor deste reencontro.
As Árvores e as Pedras emudeceram. Depois as Árvores o
ungiram com o orvalho sacudido pela brisa, e as Pedras depositaram em
suas mãos o musgo primevo que lhes vestia, como que a abençoá-lo.
Nesse momento, os raios do Sol eram difusos por entre
os ramos e a névoa da manhã. O menino olhou e compreendeu: se a luz
fosse excessiva não ajudaria a enxergar, mas ofuscaria o entendimento.
Então, agradeceu aos ramos e à névoa. E mesmo às Pedras que o faziam
tropeçar para torná-lo mais atento aos caminhos que percorria. E amou a
todos… até aos homens!
DeRose
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